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21/05/2017

AS AVENTURAS DE REX E ZENDAH NO ZODÍACO (Gêmeos)

Rex e Zenda no Zodíaco - na Terra dos Gêmeos Imagem do original da revista "Rays from the Rose Cross", editada por Rosacruz e Devoção








                                                                        Original de Esme Swajnson.

O portão da terra dos Gêmeos era delicado e diáfano, quase tão fino como uma teia de aranha. Dava a impressão que se poderia passar por ele mas ao mesmo tempo ele barrava a passagem. Sua principal característica é que movia-se de leve, constantemente, de modo que nunca se sabia para qual parte dele se estava olhando. 

Bem no centro havia um ponto de interrogação cercado por borboletas de metal cujas asas eram extraordinariamente lindas, como nunca se viu em borboletas reais. Os pilares do portão eram diferentes. Um era preto, tendo em cima a cabeça de um menino preto, carrancudo; o outro era dourado e encimado por uma cabeça de menino branco, de rosto sorridente. 



Rex e Zendah observaram atentamente o portão, embora seu movimento constante dificultasse a observação, procurando um modo de entrarem. Estavam ansiosos para entrar pois parecia uma terra alegre. 

_"Não vejo nada que nos Ajude", disse Rex, "acho melhor vermos no livro de Hermes."

Abriram o rolo e onde havia o símbolo da Terra dos Gêmeos, leram: "Observe o lado direito do portão; lá você verá um canudo de prata. No lado esquerdo você achará uma taça dourada, cheia com um líquido. Rex deverá fazer com um canudo uma bola perfeita e Zendah deverá soprá-la até levá-la exatamente em cima do ponto de interrogação que há no portão; nessa ocasião os Guardiães serão vistos e pedirão a senha".

_ "Que beleza!" exclamou Rex, "temos de fazer bolas de sabão e isto é fácil."

- "Não creio que seja tão fácil quanto parece" - respondeu Zendah, balançando a cabeça.

Logo encontraram o canudo e a taça dourada e Rex sentou-se no chão, próximo ao portão, enquanto Zendah ficou de pé, perto, para tentar soprar as bolas na direção ordenada, logo que Rex as fizesse.
Não foi fácil. Primeiramente nenhuma das bolas era perfeita e quando Rex conseguiu fazer uma, ela, ao solta-se do canudo, desceu ao chão e eles não conseguiram fazer com que subisse antes de arrebentar. Tentaram inúmeras vezes até que uma bola perfeita subiu lentamente mas arrebentou quando atingiu o lado esquerdo do portão. Outra bola perfeita foi soprada contra o lado direito do portão onde arrebentou. Somente na terceira tentativa Zendah conseguiu soprar a bola na direção certa. A bola foi subindo, subindo, brilhando com as cores do arco-íris. As crianças esperavam ansiosamente até que a bola atingiu a parte de cima do ponto de interrogação onde "bang", arrebentou. No mesmo instante ouviram um riso e duas vozes gritaram:
_ "Digam-nos os Nomes deste portão."

_"Alegria e Vivacidade", responderam os meninos.

As vozes disseram:
_"Entre Zendah com alegria e Rex com vivacidade."

O portão dividiu-se ao meio e abriu-se rapidamente com um movimento súbito.

Uma multidão de meninos e meninas correram para eles e puxaram-nos para dentro, todos falando ao mesmo tempo.
_"Venham comigo. de onde vieram?" "Como se chamam?" "Vou mostrar-lhes nossa escola." "Não,deixem-me levá-los à nossa", disseram vários meninos.

Rex e Zendah foram puxados de um lado para o outro, ficando sem saberem para onde ir. era certo que nenhuma daquelas crianças era tímida. 

Afinal, um jovem alto e magro, com um alegre piscar de olhos, empurrou os outros para o lado e tomando Rex e Zendah pelas mãos gritou:
_"Que vergonha meninos!" Vocês estão desconcertando nossos visitantes e dando-lhes a impressão que não sabemos o que queremos, embora seja verdade que alguns, nesta terra, tenham dificuldades em decidir-se."

Voltando-se para Rex e Zendah perguntou:
_"Vocês já estão com suas asas?"

Os meninos balançaram a cabeça negativamente, perguntando:
_"Que asas?"

_"Oh! penso que você tenham que esperar até que Hermes chegue", disse o jovem, "mas até lá pedirei às borboletas que lhes emprestem umas."

O jovem segurava uma vara de aveleira que brandiu duas vezes sobre sua cabeça. Imediatamente centenas de borboletas amarelas e azuis e de libélulas circundaram-nos.A maior das libélulas, grande como um passarinho trazia em sua boca dois pares de asas sobressalentes; o jovem apanhou-as e amarrou-as aos pés dos meninos.

_"Agora vocês já podem viajar para qualquer parte da Terra dos Gêmeos com rapidez. Que querem conhecer primeiro?", perguntou ele, pois viam que ambos estavam ansiosos para fazer perguntas.

_"Por que parece não ter pessoas velhas aqui?" perguntou Rex. O rapaz sorriu e disse:

_"Por uma razão. Não nos inquietamos e somos tão felizes que sempre permanecemos jovens, e também porque todos os que vêm viver aqui, mesmo por pouco tempo, banham-se na fonte da juventude. Venham ver."

Foram suavemente pelo ar, passando sobre belas florestas onde cresciam campânulas azuis e buganvílias sobre as quais esvoaçavam milhares de borboletas de todas as cores. Chegaram por fim a um bosque de aveleiras, dentro do qual havia uma fonte de um líquido que brilhava feito prata. O líquido movia-se devagar para frente e para trás em ondas largas, embora não soprasse nem a mais ligeira brisa. O ar estava perfeitamente parado masno bosque de aveleiras parecia ventar. O guia convidou-os a sentarem-se e observar.

Logo surgiram voando duas crianças que trouxeram consigo uma senhora idosa que não tinha asas nos pés. As crianças desceram-na gentilmente num dos lados da fonte segurando-a pelas mãos enquanto a senhor a atravessava a fonte. 
Para surpresa de Rex e Zendah, quanto mais a senhora penetrava na fonte, mais jovem se tornava; quando chegou ao outro lado já estava completamente rejuvenescida e em seus pés haviam crescido asas. Quando ela viu o que lhe sucedera, elevou-se no ar com um grito de alegria e juntou-se aos outros jovens que a esperavam na margem da fonte.

_"Realmente não há velhos aqui" disse-lhes o guia levantando-se para reiniciar sua viajem.. "Todos os habitantes daqui passam pela fonte d juventude e enquanto aqui viverem, permanecerão jovens".

Saindo da floresta voaram para a Cidade de Hermes, onde viram os moradores ocupados em diversos misteres, sempre afanosos, como se tivessem o cérebro nas mãos. Como na Terra do Homem do Jarro (Aquário), encontraram hábeis escultores, outros pintavam quadros ou tocavam com perícia instrumentos de música. Outros escreviam ou iluminavam manuscritos ou gravavam em cobre.  Mas o que quer que fizessem, todos pareciam que poderiam deixar seus trabalhos e fazerem os trabalhos dos outros tão bem quanto os seus próprios.

Por toda a parte os trabalhos eram diferentes. Em uma sala um jovem falava a respeito de suas viagens pelas estrelas. Disseram a Rex e Zendah que aquela era uma terra de conferencistas e que qualquer um podia falar bem, embora os habitantes das outras terras dissessem que eles falavam demais. 

Por onde quer que andassem, viam no salão de conferências luzes coloridas e de formas bizarras: centenas de bolinhas flutuando no ar, triângulos, cubos, etc. Seu guia explicava que essas figuras luminosas eram pensamentos que se viam mais facilmente ali do que em outras partes, por que lá tudo era muito vivaz e o ar claro.
Por fim chegaram ao palácio de Hermes. Foi bom que eles tivessem asas nos pés pois não poderiam atingir o castelo. 

O castelo consiste de duas torres circulares, muito altas e estreitas ligadas por magnífica ponte pênsil que balançava ao sopro da brisa. A entrada principal ficava no meio da ponte.

Todo o castelo estava sobre um mar de mercúrio e se movia incessantemente sobre este mar. Unicamente ao meio dia e à meia noite em ponto o castelo estava no meio e essa era a ocasião em que se podia voar para a entrada. Em outra ocasião, seria impossível chegar ao castelo.

_"Agora", disse-lhes o guia, "observem atentamente e sigam-me, no momento em que o castelo estiver no meio, pois de outra forma vocês não poderão ver Hermes enquanto estiverem na terra."

Ouviram-se badalar os sinos do alto da torre da esquerda. Quando pararam de soar, duas notas profundas saíram dos sinos da torre da direita. Chegara o momento. Eles, tinham que voar para a entrada com a velocidade do pensamento e estavam sem fôlego quando chegaram aos degraus da escadaria. Imediatamente o castelo pôs-se a mover, novamente, mas de onde eles estavam parecia-lhes que a terra é que se movia e não o castelo. 

No pórtico, dois pagens, um menino e uma menina, puxaram as cortinas. Eram tão parecidos que Rex e Zendah exclamaram:

_ "Mas vocês são gêmeos!"

Os dois se entreolharam e sorriram:
"Só os gêmeos são utilizados no Palácio de Hermes."

Tudo eram em pares, até as paredes de onde pendiam espelhos coloridos de tal maneira que se você parasse um instante, veria dois de você . Atravessando a ponte e subindo ao topo das torres, entraram na sala do trono que estava suspenso e ladeado por cortinas amarelas amarradas a báculos, lá em cima, nas paredes.

Os pagens disseram que essas cortinas eram mudas constantemente, havendo um modelo diferente para cada dia, pois, quem naquela terra, desejaria ver sempre a mesma coisa?

No meio da sala havia espelhos, como nos corredores, e também estátuas de homens correndo ou voando. em cima pendiam inúmeras fileiras de sinos de prata. No fim da sala, erguiam-se duas plataformas, cada uma com um trono,: um amarelo, e o outro púrpura. Hermes estava sentado no amarelo. Sorriu e deu as boas vindas aos meninos. 

_" Imagino que vocês querem saber porque tenho dois tronos, não?" Quando todos, nesta terra, fazem tudo direito, uso o trono amarelo, mas quando encontro algo errado, o que acontece às vezes, uso o trono de cor púrpura.".

_" Toquem os sinos de boas vindas". gritou ele elevando o seu cetro. Os sinos executaram alegre canção. 
_"Tudo aqui é juventude, atividade e prazeres, mas há também uma lição a aprender".

Dizendo isso, Hermes levou-os a um pequeno quarto situado ao lado da sala. Aí os meninos viram uma caixa sobre a mesa, cercada de estranhos instrumentos. Sobre a parede liam-se as palavras:
" Não calunieis, nem dê ouvidos às calúnias".
A caixa é a de Pandora. Faz muito tempo, os deuses deram uma caixa aos homens dizendo-lhes que ela lhes traria felicidade enquanto não a abrissem. Mas Pandora era muito curiosa e abriu a caixa. Imediatamente saíram da caixa todos os males e doenças que os deuses haviam aí encerrado. Só a esperança permaneceu dentro da caixa.

_" Quando os nossos meninos ficam muito faladores, muito curiosos ou turbulentos, são trazidos para cá a fim de se lembrarem da velha história". 

_"Vêem esses instrumentos? Os homens os fizeram na terra para com eles fecharem a boca dos que falam muito. Nós conservamos cópias deles aqui como um aviso contra o falar demasiado".

Voltaram ao salão do trono. Os pagens vinham constantemente trazer cartas e mensagens a Hermes. era difícil compreender como Hermes podia atender a todos eles. finalmente um pagem trouxe lindos pares de asas, semelhantes às que Hermes usava nos pés, e deu-os um a Rex e outro a Zendah, para substituirem as asas da libélula que haviam usado então.

_"Agora vocês possuem os sapatos da ligeireza. Eles servem para muitos fins, como vocês verão, mas usem apenas no serviço aos outros. As asas da libélula não servem para trabalhos pesados. Alguns dos meus filhos acham que servem, mas logo verificam que não podem voar longe. A joia que lhes dou é a calcedônia; ela é a senha desta terra, lembrando a vocês para serem os verdadeiros mensageiros dos deuses, levando a esperança e a alegria onde vocês forem. Tornarei a encontrá-los no último portão para levá-los de volta à casa. Agora não posso mais ficar porque nosso Senhor, o Sol, mandou me chamar". 

Voltando, passaram pela ponte pênsil e pelo lago de mercúrio. Passaram pela cidade de Hermes onde algumas crianças entravam em edifícios que pareciam escolas. Passaram pelo bosque de borboletas e pela fonte da juventude. Chegaram ao portão de entrada e o mesmo grupo de crianças que os recebeu gritou-lhes, enquanto os portões se fechavam: 
_" Não se esqueçam de como se fazem bolhas alegres!"

AS AVENTURAS DE REZ E ZENDAH - O COMEÇO

As Aventuras de Rex e Zenda no Zodíaco – tradução pela Fraternidade Rosacruz – Sede Central do Brasil publicado na revista Serviço Rosacruz de 1980 - 81. O original de Esme Swajnson.foi publicado na revista Rays from the Rose Cross nos anos 1960-61 e  novamente nos anos 1996-97.

20/04/2017

AS AVENTURAS DE REX E ZENDAH NO ZODÍACO (Câncer)

Rex e Zenda no Zodíaco - Na Terra do Caranguejo(Câncer)
Imagem da revista "Rays from the Rose Cross", editada por Rosacruz e Devoção

Original de Esme Swajnson

Rex e Zenda sentaram-se para recobrar o fôlego depois de sua súbita saída da Terra do Leão.

Se vocês não estão habituados aos terremotos, eles lhes tirarão o fôlego, embora, como no caso que vimos eles contribuam para economizar o tempo. Poucos minutos depois os meninos levantaram-se, começaram a procura do portão do Caranguejo. Primeiramente tiveram que esfregar bem os olhos porque não podiam distinguir onde estava o portão por causa do nevoeiro.

Era como se procurasse ver o monte que além do quintal de sua casa em manhã enevoada.

Mas, na medida em que acomodavam a vista, a névoa foi-se dissipando e eles viram um portão de prata, brilhante. No centro do portão, um gigantesco caranguejo sustinha entre suas tenazes uma lua crescente que brilhava como a própria lua. Na carapaça do caranguejo havia dois sinais, como notas de músicas, lado a lado.



Em torno do portão havia palavras escritas, difíceis de ler porque o portão girava sem parar. Num determinado momento, o crescente lunar estava na parte superior do portão, para pouco tempo depois aparecer na parte inferior. No lugar das dobradiças, existiam estranhas peças de prata parecidas com as tenazes do caranguejo. Havia um sulco nas tenazes, onde o portão estava encaixado e onde deslizava, girando, girando... Em cada metade do portão havia uma fechadura e os meninos ficaram embaraçados, sem saber qual das duas servia para abri-lo, mesmo porque eles ainda não possuíam a chave.

Zendah foi a primeira a ver uma portinha num dos pilares, esculpida em formato de caranguejo: tocando-a com seus dedos, ela abriu-se. Dentro, encontrou uma chave de prata.

Rex tentou abrir a fechadura do lado direito do portão. Introduziu a chave e deu-lhe volta. Ouviu o ruído característico de fechadura que se abre mas... o portão não se abriu. Conclui então que estava na fechadura errada e foi para a outra, sobre a qual se lia a palavra "TENTE".

Subitamente, Zendah exclamou:
-"Olhe! É uma das palavras que havia no portão do Capricórnio!"

Tirando do seu bolso a chave de chumbo que havia achado naquela Terra, ela introduziu-a na fechadura da esquerda e viu que servia.

De repetente o portão parou de mover-se, com o crescente lunar na parte superior, e os meninos então puderam ler as palavras que não conseguiram ler enquanto ele se movia.

Lá estava escrito:
-"Para Leste ou para Oeste, o Lar é melhor!".

Ao longe ouviram uma voz dizendo:
-"Queridos meninos sabem a senha?".

Ouvindo isso os meninos ficaram espantados pois reconheceram a voz de sua mãe. Mas responderam:
-“Paciência”.

Mais surpreendidos ainda ficaram quando o caranguejo desprendendo-se dom portão e batendo suas tenazes mostrou-lhes o caminho no lugar que ele ocupava. Depois que os meninos pularam, o caranguejo voltou ao seu lugar e disse:
-“Torna a girar, ó círculo da lua noturna!”.
Querendo ver o que sucedia, os meninos olharam para trás e viram recomeçar a dança do caranguejo e da lua.

Não viram ninguém na entrada dessa Terra. Era noite e havia muito nevoeiro e espantados, ouriram murmurarem:
-“Sim é”.
-“Não, vai primeiro e vê.”
-“Não há pressa”.

Aos poucos seus olhos se acostumaram à névoa e viram à sua frente um caminho que seguia por uma floresta de grandes árvores; pequenos riachos faziam ruído ao passarem sobre as pedras, como uma miniatura de uma cachoeira. Uma grande Lua amarelada surgiu aos poucos por trás das árvores e afinal eles puderam distinguir as coisas como se estivessem iluminadas pela luz do dia. As vozes se aproximavam. Zendah virou-se para Rex e disse baixinho:
-“Estou certa de ter visto algumas crianças escondidas atrás das árvores”.

Sim, elas estavam. Um rosto brejeiro apareceu por trás de um ronco desaparecendo em seguida. O mesmo aconteceu com outros.

Rex impacientou-se.
-“Saiam e sejamos amigos”, gritou ele. – “Não tenham medo pois não lhes faremos mal.

Em um ou dois minutos, estavam cercados de inúmeras crianças, algumas vestidas com roupas que brilhavam como prata e outras com roupas verdes ou violetas. Quase todas eram pálidas, de cabelos brancos e moviam-se muito devagar. O chefe, uma menina, disse a Zendah:
-“Desculpem por sermos tão lentos. Temos tão poucas visitas aqui e não sabíamos que eram vocês. Somos muitos medrosos até conhecermos bem as pessoas”.

Dando-se as mãos, foram pelo caminho até onde havia duas grandes pedras suportando uma terceira, tão grande que Rex ficou espantado, pensando que teria tido tanta força para colocá-la onde estavam.

Todos dançaram em torno das pedras, cantando linda canção que dizia algo acerca do sagrado fogo da lareira , conforme pareceu a Rex e Zendah.

Os dois estavam tão interessados em descobrir o que é que eles cantavam que não perceberam a chegada de uma figura alta que permaneceu sorrindo no meio do círculo, observando os arredores. Subitamente repararam naquela figura e atravessando a roda, penduraram-se no pescoço da senhora, exclamando:
-“Mamãe, mamãe, como veio até aqui! Jamais pensamos encontrá-la aqui entre as estrelas!”.

As outras crianças olharam atônitas. – “É sua mãe?”, perguntaram as crianças. “Ela vem aqui todas as noites contar-nos histórias”.

Mamãe balançou a cabeça. – “Sim esta é a minha terra, como a Terra do Arqueiro é a sua Zendah, mas vocês devem ficar muito quietinhos porque esta noite é uma noite especial. É a noite de São João e todas as fadas se reúnem para sua festa que principia antes da Lua Cheia”.

Muito quietos, nas pontas dos pés, todos se dirigiram para uma moita de salgueiro onde havia um gramado. Sentaram-se por trás de seus arbustos.

Ouviram uma nota clara, límpida, tocada pelos clarins da fada e logo quatro morcegos passaram voando à luz do luar, cada um conduzindo uma pequena fada às costas. Voando em círculos, baixaram até que as fadas puderam pular para o chão. Depois que as fadas desceram, os morcegos foram se dependurar nas árvores próximas, usando para isso os ganchos que possuem nas asas.

De um botão de rosa silvestre, um pequeno pássaro castanho iniciou um belo cântico cheio de trinados. Ao som dessa música as quatro fadas puseram-se a dançar agitando suas varinhas mágicas. Por onde as varinhas passavam nasciam centenas de cogumelos e de fungos. Ouviram-se novamente os clarins das fadas e as árvores se afastaram abrindo uma clareira onde ninfas verdes e marrons se assentaram sobre a grama embaixo das árvores.

Aproximando-se, viam-se ao longe centenas de fadas tendo à sua frente a Rainha Titânia e o Rei Oberam precedidos por estranha procissão de caranguejo e de guaiamus, caminhando sobre suas patinhas traseiras. Quando todos entraram na clareira, sentaram-se. As quatro fadas menores ficaram ao centro e tocaram estranhos instrumentos musicais feitos de conchas e caramujos, com cordas de teia de aranha. Rex e Zendah estavam certos de já terem ouvido antes essa música quando estiveram no bosque perto de sua casa, mas nessa ocasião não sabiam que era a música das fadas. Tinham de prestar muita atenção às fadas que dançavam ao som daquela estranha música, pois não conservavam a mesma figura por mais de dois minutos seguidos; às vezes eram grandes, outras vezes menores; às vezes pareciam-se com flores, outras vezes com caranguejos.

No fundo da clareira havia um banco de musgos. De cada lado do banco cresciam botões de rosas brancas e centenas de margaridas. Defronte do banco havia um pequeno lago onde cresciam violetas aquáticas e lírios brancos.

De madrugada a Lua surgiu por trás dos salgueiros, à esquerda do lago. Subiu aos poucos até que parou exatamente por cima do lago, refletindo-se nas suas águas. Nesse preciso instante, parecia que a Lua soltava  raios que batiam na água e voltavam, tecendo um gigantesco véu de luar mostrando todas as cores do arco-íris, só que mais pálidas, com menos brilho do que quando se vê durante o dia.

Quando ficou pronto, apareceu um oval de espessa névoa no centro. Aos poucos o oval foi se tornando maior qté que apareceu linda mulher com uma coroa de prata., em pé sobre a superfície do lago. Tinha cabelos da cor da bungavília e olhos azuis claros. Todas as fadas voltaram-se para ela e quando ela subiu no banco de musgos cantaram linda canção de saudação:

Salve a senhora Lua!
Salve a Rainha da noite!
Se a Lua e Câncer (caranguejo) aparecem juntos
As fadas a saúdam!


Com voz que mais parecia um murmúrio de brisa de verão passando pelas árvores, o espírito da Lua falou:
-“Salve, filhos dos bosques, das árvores e dos arroios! Passaram bem desde o nosso último encontro? Têm algo a pedir?”.

-“Tudo bem grande Rainha”, responderam inúmeras vozes. A Rainha continuou; - “Aparecem, crianças humanas, vocês viram minha terra; agora venham receber os presentes de recordação que temos para dar àqueles que nos visitam”.

Muito espantados, por não saberem que estavam sendo vistos, Rex e Zendah vieram para a Luz do Luar, segurando as mãos de sua mãe.
-“Não preciso lembrar-lhes, pois vocês tem em casa uma excelente mestra”, disse a Lua sorrindo, “o que esta  Terra significa para todos os que amam o lar, mas lembrem-se que bondade e paciência o torna muito mais bonito, portanto, dou a você, Rex, uma couraça de prata para que você proteja os mais fracos; e lembre-se que a semente mais doce é encontrada dentro da mais dura casca.

“Para você, Zendah eu dou um conjunto de pulseiras de prata com várias pedras-da-lua. Uma vez a cada ano, você poderá encontrar-se com as fadas e aprender o que elas e a Lua podem lhe ensinar".

Agitando sua varinha de prata, um grande caranguejo nas cores verde e roxo se curvou na frente deles e lhes mostrou uma pequena carruagem, desenhada por gatos brancos.  O tamanho da carruagem era suficiente apenas para os dois.

A mãe de Rex e Zendah beijou-os e sussurrou: “Eu estarei sempre com vocês”, e eles voltaram para a entrada. Mais uma vez, o portão parou de girar e o caranguejo de prata desceu da Lua crescente a fim de que eles pudessem passar.

Assim que eles estavam se preparando para saltar ouviram uma alegre risada que os cumprimentou. Era o rei Júpiter entrando:
-“Então vocês acabaram de visitar a Terra do Caranguejo”, disse Júpiter. “Eu estou um pouco atrasado, mas eu verei o último dos deleites”. E, parando em um dos lados, Júpiter acenou para Rex e Zendah enquanto estes atravessavam o portão.


O caranguejo voltou à sua posição de segurar a Lua crescente e o portão começou a girar novamente.

“Quem imaginou que veríamos mamãe na Terra do Caranguejo?” disse Zendah. “Será que ela vai se lembrar quando chegarmos em casa?”
-“Eu imagino que sim”, respondeu Rex. “ela sempre parece lembrar-se de tudo”.



03/02/2017

AS AVENTURAS DE REX E ZENDAH NO ZODIACO (Escorpião)

Rex e Zenda no Zodíaco - na Terra do Escorpião. Imagem da revista "Rays from the Rose Cross" e editada por Rosacruz e Devoção
Original de Esme Swajnson

Depois que os portões da terra do Arqueiro se fecharam completamente, Rex e Zendah procuravam a entrada da próxima Terra mas não viram nenhum vestígio
dela.

"Como podemos tentar abrir um portão que não parece existir?." disse Rex. "Talvez Hermes venha nos ajudar".

Para passar tempo, eles sentaram-se no chão e começaram a olhar para a lista da senha que Hermes lhes dera. Enquanto eles abriam a lista, Zendah percebeu pequenos pedaços de pedra brilhantes, que pareciam ir um em direção dos outros, quando ela os remexia com os pés.

Ela sentou-se quietinha e observou. Não eles não se movem: deve ter sido sua imaginação. Nesse momento, Rex deixou cair o canivete que havia tirado do seu bolso; como isso acontecera ele nunca soube, mas, para seu espanto, os estranhos pedaços de pedra moveram-se para o canivete e arrumaram-se em volta dele.

"Por que será: disse Rex, "que parecem partes de um quebra-cabeças?."

Apanharam algumas pedrinhas.
"Você acha que pode ser um quebra-cabeça?" perguntou Zendah.

"Vamos tentar fazer uma palavra juntando algumas."
Juntaram uma quantidade dessas pedrinhas esquisitas, escuras e brilhantes e viram que podiam fazer várias palavras com elas. Afinal fizeram a palavra "SEGREDO".
Imediatamente um ruído curioso por trás deles fez que eles se voltasse. Era um som sibilante e eles viram algo que parecia água correndo ligeira sobre pedras num leito de rio, depois de muitas chuvas.

Viram então um movimento, onde antes parecia nada haver. No fundo do leito do rio havia inúmeras linhas movendo-se em espiral, elevando-se aos poucos, indo de um lugar para o outro, ligeiras, para cima e para baixo até formarem um funil, uma tromba dágua, tão alta, quanto uma casa e com cerca de oito pés de largura no alto.

No fundo, sua cor era púrpura escura quase preta; mas as linhas móveis tornaram-se mais claras, mais avermelhadas, até parecerem de uma linda cor carmesim. Então formou-se no fundo do funil uma bolha que aos poucos foi subindo até em cima, para rebentar sem ruído.

Mais sete bolhas, cada uma maior do que a outra, subiram, e quando a última, a oitava, rebentou, toda a água desapareceu e eles viram o portão que dava acesso àquela Terra. Era feito de ferro primorosamente trabalhado, com a figura de uma enorme águia bem por cima.

Nenhuma voz pediu a senha; o portão abriu-se subitamente com um clangor, e também subitamente fechou-se logo que os meninos o transpuseram.

Na sua frente o caminho estava bloqueado por grandes pedras sobrepostas que fechavam também os lados, até onde estava o portão que agora desaparecera.

Não era possível avançar nem retroceder, mas parecia haver uma entrada, pois uma corrente de água escura passava sob a pedra próxima dos meninos.

"Vamos tentar dando a senha" disse Zendah. "Pode ser que aqui seja como na caverna de Ali-Babá". E eles murmuraram: "PODER".

Oito vezes essa palavra ecoou pelas pedras, como se fora um coro de pessoas invisíveis zombando deles. Mas súbito apareceu uma passagem à sua frente. Do outro lado, havia um bote.

Os meninos entraram no bote, e sem qualquer aviso o bote partiu em grande velocidade, como se o rio descesse pela montanha. Passaram por cavernas tão negras como azeviche; atravessaram torrentes tão rápidas que o bote estremecia tanto ao ponto de pensarem que seria lançados fora dele! Por vezes as águas eram geladas e eles viam blocos de gelo, de todas as formas e tamanhos, espichando-se para cima, de ambos os lados como se fossem os pilares de uma catedral. Depois passaram por um lugar que era tão quente quanto era frio o lugar que haviam deixado. Fontes de água fervente lançavam-se para o teto da caverna e os meninos mal podiam respirar naquela atmosfera abrasadora.

Quiseram parar o bote mas não puderam porque as paredes da caverna eram revestidas de vidros coloridos que pareciam as jóias que sua mamãe usava no pescoço.

Afinal o bote foi lançado em terra aberta e parou ao lado de um outeiro onde cresciam sabugueiros e alnos. No outeiro estava de pé um personagem que eles reconhe­ceram. Era Marte. Pularam do bote e correram para ele.

"Vocês não demoraram a encontrar o segredo da entrada da caverna disse ele, "e estou muito satisfeito porque a viagem subterrânea não amedrontou vocês. Na terra do Escorpião-Águia vocês terão de descobrir muitas coisas por vocês mesmos. Agora escolham: querem ir para leste ou para oeste?"

   "Oeste", disse Zendah, falando primeiro, antes que Rex pudesse decidir. Logo que ela falou, desceu uma carruagem voadora puxada por quatro águia

Subiram na carruagem e voaram sobre campos gelados, sobre quedas d'água; subiram até muitas milhas de altura, até que o ar tornou-se mais quente e chegou até eles um perfume parecido com o de um jardim.

Desceram da carruagem. Estavam num terreno extenso e plano, cheio de canteiros com plantas. Algumas eram conhecidas porque no jardim de sua casa havia delas, mas a grande maioria, eles jamais haviam visto antes.

"Como cheiram bem" disse Rex indo de um canteiro para outro, apanhando aqui e ali uma folha enquanto iam e vinham pelas aléas. "Mas porque são precisas tantas?".

    "Elas tem muitos usos como você verá", respondeu Marte, levando-os mais longe. No meio do jardim das plantas havia uma casa comprida e baixa; dentro dela vi­ram muitas mulheres pondo as plantas em bandeijas para secar, e depois passando-as por peneiras e por fim colocando-as em garrafas. Viram as plantas, em outra parte da casa, sendo fervidas em grandes vasilhas para servirem de remédios que os médicos usam para curar pessoas doentes.

  "Existem uma planta para cada doença; basta que as pessoas se deem ao trabalho de descobri-la", disse Marte.

No centro da construção havia um quarto com janelas de vidros pelas quais as crianças viram oito homens, idosos em torno de uma mesa sobre a qual havia um vaso de vidro arrolhado. Para seu espanto, viram que o vaso estava cheio de um líquido de cor linda que se movia e pulava como se quisesse sair do vaso. Era de linda cor carmesin, semelhante a vinho com centenas de bolhas douradas. Era tão bonito que pediram para levar um pouco para casa mas disseram-lhes que ainda não estava pronto e que quando ficasse pronto curaria qualquer doença.

-      "É o Elixir da Vida que os antigos alquimistas sempre tentaram fazer, e eles vieram da Terra para esta terra para descobrirem como faze-lo disse Marte".

Outra coisa interessante que eles viram foi uma porção de pessoas fazendo óculos. 0 interessante é que não havia dois pares de formato semelhante e cada um tinha vidros de uma cor diferente.

Pediram para olhar um desses óculos. Todas as pessoas puseram-se a rir e disseram em coro:
—    "Vocês já tem um par".

De onde vieram os óculos subitamente, eles não tinham ideia, mas Rex estava com óculos cor de rosa e Zendah com óculos azuis.

Que maravilha viram por esses óculos! Podiam ver dentro da terra, como se esta fosse transparente, ver onde estavam os poços de petróleo e ver correntes d'água subterrâneas. Olhando para os rios, viram que estavam cheios de ondinas brincando umas com as outras. No ar, viram milhares de figuras pequeninas que antes não haviam visto e perceberam algumas delas em torno das flores com pincéis e paletas de tinta, colocando as cores nos bastões que se abriam e nos frutos. Aqueles óculos eram mágicos; "Todo o mundo tem um par", disse Marte, "mas muito poucas pessoas sabem como usá-los e a maioria nem sabe que os possui".

Saindo da fábrica de óculos, viram, num pátio próximo, um poço profundo coberto com uma grande pedra mármore. Marte retirou a pedra e eles viram que o poço estava seco. Na areia do fundo do poço rastejavam alguns bichos escamosos que tinham um ferrão na extremidade das caudas que mantinham curvadas por cima de suas costas.

—"Estes não deviam estar aqui", disse Marte. "Já foram todos bonitas águias, mas toda vez que uma criança da terra diz uma palavra má grosseira, uma das nossas águias vira escorpião."

"E nunca mais voltam a ser águias?" — perguntou Zendah, sentindo muita pena das pobres águias condenadas a rastejar em vez de voar.

"Oh, sim mas as crianças devem fazer três boas ações antes que eles possam virar águias de novo."

Os meninos viram muitas outras coisas curiosas.Todas estavam ocultas, e, para se tornarem visíveis, tinham de pronunciar uma palavra mágica. Afinal chegaram às escadas de um palácio.

Este palácio estava sobre oito pilares e tinha um fosso em toda a volta, de modo que todo o palácio se refletia na água do fosso; a ponte de acesso parecia feita de nuvens e cada passo que Rex e Zendah davam era como se andassem em flocos de algodão. Mulheres vestindo capas vermelho-escuro e com véus em suas cabeças, presos por um ornamento em forma de serpente, es­tavam em pé nas passagens e corredores para saudar a Marte e aos meninos levantando a mão. Meninos-pagens de olhos negros penetrantes e com cachos de cabelos escuros ondulados, afastaram as cortinas do salão central.

A parte superior do salão era feita de mármore preto e branco e o trono era uma grande pedra verde salpicada de pequenos pontos . vermelhos. De cada lado havia gran­des vasos de ferro nos quais cresciam brancas papoulas.

Uma lâmpada de luz vermelha pendia do teto defronte ao trono e braseiros de cada lado desprendiam nuvens de fumaça aromática. Havia alguém sentado no trono, vestindo roupa de cor carmesim róseo debruada com bordados de várias cores e ricamente cravejada de jóias. Os meninos não puderam ver o rosto do rei porque estava coberto por oito véus, mas viram que usava uma coroa cravejada de jóias cintilantes.

Uma voz profunda apresentou-lhes as boas vindas e ordenou que seu assistente enchesse a taça e desse ás crianças a bebida da lembrança. "Pois sem ela não seriam capazes de, evocar o que haviam visto na Terra do Escorpião-Águia." Uma mulher alta estendeu-lhes uma taça lindamente lapidada, cheia com líquido vermelho, ao mesmo tempo que passava a mão sobre os olhos dos meninos. Era uma bebida estranha, muito doce enquanto bebiam, mas deixando um gosto amargo na boca depois de ingerida.

Devolvendo a taça, olharam para o trono e viram atrás deles uma pessoa com asas — um Grande Ser que atingia quase o teto do salão, tendo uma estrela cintilante na cabeça.

Era um dos quatro Guardiões dos Ventos, disseram-lhes, e a quarta parte do mundo estava a seu cargo. Outro robusto Guardião vivia na Terra do Homem do Jarro, mas como os meninos ainda não haviam bebido da água da lembrança, eles não tinham podido ver nenhum dos quatro Guardiões.

Estavam embevecidos olhando para as lindas asas e para a estrela cintilante do Anjo até que a voz do rei despertou-os.
— "Tragam o Capacete da Invisibilidade", ordenou o rei.

Um pagem entrou trazendo uma almofada de cetim mas eles não viram nada nela. Este "nada" foi posto na cabeça de Zendah. Ela sentiu como se estivesse pondo um chapéu na sua cabeça, só que não via o que era e quando o chapéu foi colocado nela, Rex não mais a viu; ela tornara-se invisível.

Em torno do pescoço de Rex foi pendurado um cordão vermelho com um pendente feito de um topázio um formato de águia.

"O capacete Invisível ajudará vocês a verem as coisas ocultas, e também servirá para torná-los invisíveis na terra, como ficaram aqui".

Vocês já ficaram muito tempo nesta terra mas ainda tem muito o que ver", disse o Rei. "e eu mandarei vocês rapidamente para a próxima Terra".

O Rei levantou-se e elevando as mãos acima da cabeça falou uma palavra estranha que os meninos jamais se lembraram qual foi.

O assoalho pareceu levantar-se tudo ficou escuro, era a primeira coisa que eles perceberam é que estavam do lado de fora do portão, e, como tinha acontecido antes de entrarem não viram nenhum sinal dele.

"Este é o segundo terremoto", disse Zendah.
As Aventuras de Rex e Zenda no Zodíaco – tradução pela Fraternidade Rosacruz – Sede Central do Brasil publicado na revista Serviço Rosacruz de 1980 - 81. O original de Esme Swajnson.foi publicado na revista Rays from the Rose Cross nos anos 1960-61 e novamente nos anos 1996-97.